Todo escritório encerra um ano carregando conquistas, frustrações, escolhas acertadas e decisões que poderiam ter sido melhores. O ponto central é como essa história é interpretada. Revisar o ano não significa apenas conferir resultados financeiros ou checar se metas foram cumpridas; significa compreender o comportamento do escritório: como ele reagiu aos desafios, onde amadureceu, onde insistiu em práticas ineficientes e quais caminhos mostraram potencial. É uma análise que exige honestidade, método e disposição para ajustar rotas.
Um bom diagnóstico começa pela confrontação entre metas e realidade. Isso inclui revisar os objetivos definidos no início de 2025 e compará-los com indicadores concretos: margem de contribuição, eficiência econômica, lucro líquido, volume de novos contratos, taxa de conversão comercial, prazos de entrega, satisfação dos clientes, horas efetivamente produtivas e custos fixos e variáveis. Essa leitura técnica revela o que realmente sustentou os resultados e o que, apesar do esforço, não funcionou. Metas não são meros números; são apostas estratégicas, e sua revisão mostra onde a gestão acertou na expectativa e onde a estrutura atual ainda não está preparada para entregar o desempenho desejado.
O ponto mais valioso dessa análise está no levantamento dos aprendizados — positivos e negativos. Os positivos mostram práticas que merecem ser institucionalizadas: campanhas de marketing que trouxeram clientes qualificados, melhorias em atendimento que reduziram retrabalho, iniciativas internas que aumentaram a produtividade, ajustes na política de honorários que elevaram a rentabilidade, ou ainda decisões de pessoas que fortaleceram a equipe. Esses acertos revelam caminhos de crescimento e devem ser transformados em padrões — rotinas, diretrizes, processos e metas específicas.
Os aprendizados negativos, embora desconfortáveis, são os que mais movem o escritório. Eles mostram onde houve perda de energia, onde a comunicação interna falhou, quais áreas operaram sem padrão claro, onde decisões demoraram mais do que deveriam ou onde o financeiro careceu de previsibilidade. Também revelam gargalos crônicos: acúmulo de tarefas, sobrecarga em alguns profissionais, casos pouco rentáveis que consomem horas preciosas, falhas na classificação de honorários, ausência de controle sobre repasses a clientes e dificuldades no relacionamento com determinados perfis de contratantes. Quando analisados corretamente, esses sinais constroem um mapa claro do que precisa ser corrigido antes que 2026 comece.
Outro ponto essencial é revisar a carteira do escritório: quem são os clientes que mais contribuíram para o resultado, quais casos trouxeram complexidade sem retorno compatível, de onde vieram as melhores oportunidades e por que algumas conversas comerciais não evoluíram. Esse olhar sobre a base ativa e o fluxo de oportunidades ajuda a aprimorar estratégias de captação, fortalecer relações já estabelecidas e eliminar práticas que não convertem. Não é apenas uma análise comercial; é um exame de coerência entre o posicionamento do escritório e o tipo de demanda que atraiu ao longo do ano.
Com os aprendizados catalogados, o próximo passo é transformá-los em ações concretas para 2026. Acertos devem virar padrão institucional, com responsáveis definidos, prazos claros e indicadores de acompanhamento. Erros devem ser tratados como hipóteses rejeitadas: algo foi tentado e não funcionou; portanto, deve ser ajustado ou abandonado. Essa transição — do diagnóstico para o plano — é o que diferencia escritórios que apenas “registram o ano” dos que evoluem de um ciclo para outro.
Esse replanejamento deve incluir a revisão da política de honorários, o fortalecimento da gestão financeira, melhorias nas rotinas de atendimento ao cliente, ajustes no quadro de pessoal, clareza nas responsabilidades entre áreas, novas diretrizes para marketing e a definição de metas realmente compatíveis com a capacidade operacional atual. Além disso, é indispensável estabelecer mecanismos de acompanhamento contínuo, para evitar que o escritório volte ao improviso e perca controle sobre custos, produtividade e entrega ao cliente.
Quando a revisão anual se torna um hábito institucional, o escritório entra no novo ano com mais foco, previsibilidade e maturidade. Não se trata de olhar para trás com nostalgia ou frustração, mas de compreender a trajetória para tomar decisões melhores. Escritórios que tratam o diagnóstico de forma séria constroem vantagem competitiva: aprendem rápido, corrigem cedo, repetem acertos e alcançam resultados mais robustos.
Revisar 2025 com profundidade é, portanto, o primeiro passo estratégico para fazer de 2026 um ano mais inteligente, produtivo e lucrativo
Referências Bibliográficas
DRUCKER, Peter F. A Prática da Administração. São Paulo: Pioneira, 2019.
MOTA, Alexandre. Planejamento Estratégico para Escritórios e Empresas de Serviços Profissionais. São Paulo: JusPodivm, 2023.
KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de Marketing. São Paulo: Pearson, 2022.
MAXIMIANO, Antônio César Amaru. Teoria Geral da Administração. São Paulo: Atlas, 2021.
Fernando Henrique de Oliveira Magalhães
É graduado em Economia pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), turma de 1985. Sua formação de base foi concluída no Colégio Santo Américo, onde finalizou o ensino médio em 1981.
Ao longo de sua trajetória, construiu uma base sólida em gestão, estratégia e finanças, com ênfase especial na estruturação e desenvolvimento de negócios. Em 2018, concluiu o curso de Planejamento Estratégico para Escritórios de Advocacia na GVlaw, da Fundação Getúlio Vargas, e participou do programa “Melhores Práticas de Gestão de Escritórios de Advocacia”, promovido pela TOTVS. No ano seguinte, aprofundou sua atuação no segmento jurídico com a especialização em Gestão Jurídica Estratégica pela FIA – Fundação Instituto de Administração.
Sua experiência também se estende ao varejo e ao franchising, tendo concluído diversos programas voltados à gestão e desempenho operacional. Entre eles, destacam-se os cursos “Finanças para Varejo” e “Gestão de Lojas e Negócios”, ambos promovidos pela Growbiz, além do “Programa de Treinamento para Gerentes de Varejo” e “Técnica de Vendas para Varejo”, ministrados pelo Grupo Friedman. Também integrou a “Franchising University”, iniciativa do Grupo Cherto, voltada à profissionalização da gestão de redes de franquias.
Além disso, possui fluência em inglês, tanto na comunicação oral quanto escrita, resultado da formação completa — do nível básico ao avançado — cursada na Associação Alumni entre 1987 e 1990.